Dialogues
Vício Tecnológico:
uma epidemia

Daniel

Spritzer

Fernanda

Furia

No dia 14 de Setembro de 2018 (sexta-feira) Daniel e Fernanda estarão ministrando o Dialogues​
Vício Tecnológico: uma epidemia

.Entenda um pouco sobre o que cada palestrante trará no evento!

Gaming Disorder
A evolução e a importância de um novo diagnóstico | Daniel Spritzer
Os jogos eletrônicos são hoje uma das principais atividades de lazer de crianças, adolescentes e adultos, e a indústria dos games é a mais rentável indústria de entretenimento do mundo. O avanço tecnológico permite que as pessoas joguem em tempo real com centenas e até milhares de outros jogadores, e a evolução da mecânica e da narrativa dos jogos proporciona motivação para que se continue conectado mesmo depois de muitas horas de jogo.

Em decorrência da quantidade e da qualidade das evidências disponíveis na literatura científica sobre o uso problemático dos jogos eletrônicos, assim como da observação clínica em nível mundial dos prejuízos causados pela intensidade desse fenômeno, a Associação Americana de Psiquiatria incluiu no DSM-5 uma proposta de critérios diagnósticos para o Transtorno do Jogo pela Internet como “condição que merece mais estudos”, e a Organização Mundial de Saúde acaba de incluir oficialmente o Gaming Disorder (ainda sem tradução oficial para o português) na 11ª edição da Classificação Internacional de Doenças.

Entretanto, estudar a relação das pessoas com os jogos eletrônicos, tanto em nível mais saudável quanto mais problemático, vai muito além dos sistemas classificatórios. Principalmente nos dias de hoje, isso implica estar sempre de olho no contemporâneo, no novo, nas últimas pesquisas, mas ao mesmo tempo sem deixar de lado o clássico, o conhecido, as invariâncias da história e do desenvolvimento humano.
O Futuro da Infância e o Apego Tecnológico
Fernanda Furia
O cérebro de uma criança na tela parece com um cérebro drogado” (Kardaras, 2016). A Geração Alpha já experimenta as dores e as delícias de um mundo mediado por tecnologias poderosas. Internet dos brinquedos, realidade virtual, inteligência artificial, computação afetiva e robôs sociais são alguns exemplos de tecnologias que já estão impactando as gerações digitais. Enfrentamos um crescente problema relativo ao uso patológico de variadas tecnologias por parte das crianças e dos adolescentes. Esta situação é a ponta do iceberg de um contexto social e econômico muito mais amplo e complexo no qual a competição pelo dinheiro e pela atenção de cada um de nós leva as empresas de tecnologia a desenhar sistemas que nos mantém grudados às telas e nos distanciam do nosso entorno. Há alguns anos centros de reabilitação em dependência tecnológica em vários países foram criados para resgatar crianças e adolescentes aprisionados em tecnologias feitas para encantar e viciar. Depender de “likes” para desenvolver a autoestima, se comparar constantemente com os outros, achar que está perdendo algo a todo momento e sentir-se desconectado das pessoas são alguns exemplos dos aspectos psicológicos envolvidos no vício pelos jogos e pelas redes sociais. Tecnologias exponenciais e jogos com realidade virtual e aumentada apontam para um contexto futuro ainda mais desafiador com relação ao tema da adição tecnológica. É urgente refletirmos sobre o vício digital e as drogas virtuais contemplando cenários com tecnologias ainda mais potentes. Como será o futuro da infância diante de avanços tecnológicos que impactam profundamente crianças cada vez menores? A ligação entre as tecnologias avançadas e a saúde mental na infância é um tema que precisa ser debatido não só para protegermos as novas gerações como também para criarmos hoje estratégias éticas e humanas que contemplem os cenários futuros, aproveitem as oportunidades de crescimento e favoreçam o desenvolvimento humano.
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